Adesão dos trabalhadores da CP à greve é "praticamente total", afiançam sindicatos

por RTP
Filipe Silva - RTP

A greve dos trabalhadores da CP, convocada por vários sindicatos, está a ter uma adesão "praticamente total", segundo o secretário-geral da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), que indica que apenas se cumpriram os serviços mínimos.

"Neste momento, aquilo que é a parte comercial [bilheteiras] da CP está encerrada e a circulação que se realizou foi aquilo que foi programado como serviços mínimos. De resto, não há nem mais circulação, nem se veem trabalhadores nos locais de trabalho", disse à agência Lusa José Manuel Oliveira.

O responsável falava pelo conjunto dos sindicatos que convocaram esta paralisação.

Na quinta-feira, a CP - Comboios de Portugal avisou que eram esperadas perturbações na circulação, em especial até sábado, e adiantou que a greve também poderá afetar as circulações do Comboio Histórico do Douro.

Esta manhã, eram já sentidos os contrangimentos. Na Amadora, há registo de vários comboios suprimidos. Muitos utentes dizem ter sido apanhados de surpresa.
No Porto, idêntico cenário. Muitos comboios foram suprimidos e há muita gente que não tem alternativa para se dirigir ao local de trabalho. Da parte dos sindicatos, traça-se um cenário de cumprimento apenas de serviços mínimos.

Bloqueio negocial

O Tribunal Arbitral decidiu decretar serviços mínimos de cerca de 25%.

Os trabalhadores reivindicam a valorização das suas carreiras, segundo um documento subscrito por mais de 10 organizações sindicais.

O sindicato dos maquinistas disse na RTP que houve uma ruptura negocial e um bloqueio e por isso, avançaram para a greve.

A decisão do Tribunal sobre esta paralisação e outra convocada entre os dias 27 de junho e 14 de julho inclui, além dos tradicionais serviços mínimos em comboios de socorro e transporte de mercadorias perigosas e bens perecíveis, uma lista de comboios que devem ser assegurados.

Destes, o serviço de longo curso contará hoje com cerca de 23% do serviço assegurado, os regionais com 25%, os urbanos de Lisboa com 25%, os urbanos do Porto com 25% e os urbanos de Coimbra com 24%.

A greve tem a adesão da Associação Sindical das Chefias Intermédias de Exploração Ferroviária (ASCEF), da Associação Sindical Independente dos Ferroviários da Carreira Comercial (ASSIFECO), do Sindicato Nacional dos Transportes, Comunicações e Obras Públicas (FENTCOP), do Sindicato Nacional dos Ferroviários do Movimento e Afins (SINAFE), do Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia (Sindefer) e do Sindicato Independente dos Trabalhadores Ferroviários, das Infraestruturas e Afins (SINFA).

O Sindicato Independente Nacional dos Ferroviários (SINFB), o Sindicato Independente dos Operacionais Ferroviários e Afins (SIOFA), o Sindicato Nacional de Quadros Técnicos (SNAQ), a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans), o Sindicato dos Transportes Ferroviários (STF), o Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF) também aderiram.

As estruturas sindicais entendem que as propostas da administração da CP não respondem à necessidade de valorização das carreiras de todos os trabalhadores da empresa.

Reembolsos e trocas

 Os clientes com bilhetes para viajar nos comboios alfa pendular, intercidades, internacional e inter-regional podem pedir o reembolso total do mesmo ou a sua troca.

Os reembolsos podem ser efetuados nas plataformas digitais da CP, até 15 minutos antes da partida do comboio da estação de origem do cliente, ou nas bilheteiras.

"Passado esse prazo, e até 10 dias após terminada a greve, pode ser pedido o reembolso através do preenchimento do formulário de contacto `online` `reembolso por atraso ou supressão`, com envio da digitalização do original do bilhete", acrescentou.

c/Lusa
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